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Blog EntryJun 18, '06 8:50 AM
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Não tenho dúvidas que o Multiply é um sistema de rede de contatos maravilhoso e não deixa nada a dever pra ninguém - seja Orkut ou MSN Spaces - a não ser no quesito popularidade. Sei também que mais que um sites de rede de relacionamentos, tanto pode ser um blog como um site pessoal, um dos únicos possíveis de compartilhar fotos, textos, vídeos, músicas num só espaço. Sim, eu sei, eu sei, o Multiply é uma maravilha.

Apesar de saber disso tudo, eu ainda sinto a falta de um blog. 4 motivos:

1. Limitações aos não usuários - como toda rede de relacionamentos, o Multiply tem limitações para quem não faz parte da rede. Uma delas me incomoda especialmente: a de não usuários poderem comentar os posts. Eu gostaria que todos pudessem comentar meus posts, independente de serem do Multiply.

2. Pena de misturar textos "artigos" com textos "posts" - Sim, me dá pena misturar artigos tão bem elaborados e longos com simples posts característicos de blog, tipo "clique aqui". Em parte, por isso que não atualizo com frequência a parte de textos do meu Multiply. Fiquei muito exigente com o que escrevo aqui.

3. Crise de identidade - meu Multiply passa por várias crises de identidade, ora porque tem muito conteúdo de segurança pública (minha profissão) ora porque enfatiza o conteúdo sobre mim (afinal é um site pessoal). Com um blog eu poderia escrever especificamente sobre o assunto de segurança pública e o Multiply continuaria sendo meu site pesoal.

4. Multiply Blog não é uma boa idéia - através da configuração do layout é possível transformar o Multiply em blog, com posts lineares, datados e classificados por assunto. Eu já experimentei esse recurso de transformar meu Multiply em blog e não foi uma boa  idéia. Não gostei do resultado, até porque ficaria sem meu site pessoal, com um blog feio e muito capenga em comparação com os outros disponíveis na Internet.

Então, estou decidido. Farei um blog pra mim. E colocarei aqui o andamento do projeto, o passo a passo, de forma que o leitor possa acompanhar e, quem sabe, se aventurar na construção de um blog também. Aguarde o próximo post primeira da série "Construindo um blog".

Alexandre de Sousa


Blog EntryJun 3, '06 11:21 AM
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No dia 13 de março, algumas ONGs iniciaram uma campanha contra a utilização das viaturas blindadas pela Polícia Militar do Rio de Janeiro nas áreas de grande risco da cidade. Estas ONGs, com uma retórica "anti-Caveirão", apresentam argumentos ideologizados e atribuem à utilização do blindado toda sorte de trangressões e violações praticados pelos policiais ocupantes do veículo.

É perigoso que o cidadão tenha acesso a apenas uma fonte de interpretação da realidade dos fatos, sobretudo porque vivemos num Estado Democrático de Direito e a discussão a respeito de Segurança Pública (que constitucionalmente é direito e responsabilidade de todos) é desejável e benéfica.

Para que o cidadão tenha informações mais esclarecedoras e possa formar sua opinião sem a indução de apenas um lado da realidade, a Assessoria de Imprensa da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro divulgou nota a respeito:

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro atua dentro dos limites legais, visando o cumprimento de sua missão constitucional de preservação da Ordem Pública e polícia ostensiva. A situação de violência vivida por nossa sociedade, não tem início em nossa atuação e muito menos terá fim nela. O problema da Segurança Pública não se resolve apenas combatendo a criminalidade, tornando essencial um aparato social, que garanta o acesso ao mercado de trabalho, saúde, moradia e educação.

Quanto às denúncias feitas pelas Organizações Não Governamentais, compreendemos que o uso moderado de força se faz necessário para que possamos restringir os escessos de alguns cidadãos para a proteção do bem comum, seja ele a vida, liberdade ou mesmo o patrimônio individual, contudo a discussão em torno da utilização do veículo blindado do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) é salutar e enriquecedora.




A Academia de Polícia Militar D. João VI é um estabelecimento de ensino superior localizado em Sulacap, Rio de Janeiro (RJ). Através do curso que oferece - o Curso de Formação de Oficiais (CFO) - dá acesso de seus egressos ao Quadro de Oficiais Policiais Militares da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O CFO tem a duração de 3 anos, em regime de internato.

Seu sistema de distribuição de recompensas e castigos aos alunos não é diferente dos de outras academias militares. Iremos expor o sistema partindo da idéia do que seria um aluno "padrão" utilizando as palavras de Goffman (1961/1987, p. 59): "é o convertido, que parece aceitar a interpretação oficial da equipe dirigente e procura representar o papel do internado perfeito (o convertido aceita uma tática disciplinada, moralista e monocromática, apresentando-se como alguém cujo entusiasmo pela instituição está sempre à disposição da equipe dirigente)". O sistema interpretado de maneira simplista seria o seguinte: quanto mais se aproximar deste padrão, presumivelmente o aluno colherá privilégios. Isso significa melhor classificação, melhor conceito com a Administração, elogios, etc. Quanto mais se afastar desse padrão, o aluno será castigado. Isso significa menor classificação, menor conceito, medidas restritivas de liberdade (licenciamentos sustados, detenções e prisões). Ou seja, para quem faz o "certo" a "goiabada"; para quem faz o "errado", a "porrada" (o certo e o errado segundo o discurso oficial). 

Saindo deste microcosmo e analisando uma sociedade mais ampla, iremos verificar que este sistema não é exclusividade das instituições militares. Está em nossa rotina durante todo o tempo. Seja em casa, no trabalho, no namoro, ou em qualquer outra esfera das relações humanas, nossas ações podem ser dignas de recompensa ou de punição. Desde a infância fomos moldados de forma a fazer o "certo" em busca de recompensa e em fuga da dor. Em busca da aprovação dos nossos pais ou daqueles saborosos doces que eles prometiam, nós obedecíamos. E não havia escolha. Ou obedecia-se, ou éramos penalizados com uma bronca, umas palmadas ou castigo restritivo de liberdade. Durante toda nossa vida fomos compelidos a satisfazer a expectativa da coletividade a que pertencemos para não sermos punidos com a desaprovação do grupo. Ou ainda, a expectativa da figura do chefe, do professor, do líder do grupo.

O ser humano é hedonista: busca o prazer e foge da dor, isto é fato. A querença à goiabada e a repulsa à porrada movem nossas ações e decisões, e isso é lógico e facilmente identificável. Este é um princípio geral da natureza humana, que como todos os princípios gerais, admitem exceções, mas se aplica à maioria dos casos. Aliás, isso é importante para a sobrevivência da raça humana, faz parte do instinto de auto-preservação.

Voltando a Academia de Polícia Militar D. João VI, como "estratégia adaptativa" (Goffman, 1961/1987, p. 59) a esta estrutura nesta instituição acadêmica, apresento neste texto um modo particular de adaptação. Defendo que o ideal é seguir o caminho inverso da teoria hedonista. Ainda que seja difícil, pois buscar a dor em detrimento do prazer representa sacrifício e o próprio sacrifício representa dor.

Em suma, o ideal é o seguinte:

1. Não esperar privilégios e recompensas. Esperar sempre o pior, não buscar o reconhecimento superior. NÃO FAZER OU DEIXAR DE FAZER PARA GANHAR.

2. Não ter medo do castigo. Tornar nulo o efeito coercitivo da punição em você. NÃO FAZER OU DEIXAR DE FAZER PARA NÃO PERDER.

Por vezes, esta filosofia é mal interpretada como indisciplina e rebeldia, como se isso fosse desafiar intencionalmente a instituição.
 
De fato, seguir esta tática adaptativa é estar acima do sistema e não estar sujeito a ele, livre das limitações que este lhe impõe.

Porém, engana-se quem acha que isso é "bater de frente" com a equipe dirigente. Pelo contrário, este é o caminho para a materialização do tão sonhado e dito discurso oficial da "disciplina consciente".

Segundo este discurso, o aluno deve ser correto em suas atitudes e ações independentemente do que vai ganhar por sê-lo ou perder por não sê-lo. Ou seja, deve agir "certo"; não porque pode ser punido se não o fizer e nem por que pode ser recompensado por fazê-lo, mas por que têm caráter e conduta ilibada de tal modo que faz o certo simplesmente porque é correto fazê-lo.

Tal utopia não poderá ser alcançada se não for pelo caminho da "Querença da Porrada e à Repulsa à Goiabada" que aqui expus. Tento segui-lo diariamente na árdua jornada do CFO, ainda que não tenha conseguido inteiramente, tendo como lema:
Não quero goiabada, não tenho medo da porrada, faço porque é correto fazê-lo, não por causa das consequências que advirão do meu ato. Esta é a essência da disciplina consciente.

Por Alexandre de Sousa

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BENELLI, Sílvio José . O internato escolar O Ateneu: produção de subjetividade na instituição total. Psicologia USP, São Paulo, v. 14, n. 03, p. 133-170, 2003.

GOFFMAN, Erving (1987). Manicômios, prisões e conventos (2a ed., D. M. Leite, trad.). São Paulo: Perspectiva.
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As campanhas já estão na reta final, mas continuam nas televisões, nos rádios e na Internet, contra e a favor do comércio de armas e munições no Brasil. Duas frentes se degladiam, cada qual com suas armas (trocadilho infame) e com seu jeito de guerrear. Pois bem, me coloco no lugar do cidadão. Assisto as propagandas, leio um artigo aqui, outro acolá... agora penso um pouco e tento responder a pergunta "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". Considero as opções:

A opção do "SIM", "dos puros de coração, pacifistas e otimistas incorrigíveis". Estes apelam para a emoção. Mostram artistas contratados esbanjando carisma e fazendo uma ligação perigosa, senão falsa, entre desarmamento e paz e desarmamento e vida (para não dizer que o referendo não é sobre desarmamento e sim sobre comercialização de armas de fogo e munições no Brasil). A frente do "SIM" é forte e já canta vitória, pois têm a mídia e a Igreja ao seu lado e são, a começar pelo nome, a chapa "afirmativa". O "SIM" gosta de mostrar estatísticas que dizem o quanto de jovens que morrem por armas de fogo no país e como a vida seria melhor sem elas.

A opção do "NÃO", "dos armamentistas, dos homens da direita, dos conservadores". São a chapa "negativa", por motivos óbvios. Estes se baseiam na legalidade e no direito da legítima defesa, mas também não abrem mão da emoção. Os mais radicais fazem terrorismo do tipo: "se o comércio de armas for proibido um bandido vai entrar na sua casa, vai estrupar sua mulher e roubar sua casa e você não vai poder fazer nada". Ou então, que "os países que desarmaram a população foram aqueles que logo depois instituíram um regime totalitário de governo". O "NÃO" gosta de citar estatísticas que mostrem que a violência não está nas armas dos cidadãos de bem e que os bandidos não entregarão suas armas.

Mas deixemos agora que as duas frentes lutem entre eles. Neste artigo não vou tomar partido, não vou defender o lado "sim" ou o lado "não". Permita-me sair dessa discussão e abordar o referendo em si. Existem três questões sobre as quais não podemos deixar de refletir.

Você já percebeu a confusão que é a pergunta do referendo?
Preste atenção na pergunta do referendo. Parece que ela foi formulada de forma a confundir o eleitor. Repare só: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"
Você deve responder "sim" para dizer não ao comércio de armas de fogo e  munições e responder "não" para dizer sim ao comércio de armas de fogo e munições. Responderemos sim para proibir e não para permitir! Confuso? Têm mais. Quando nos referimos a uma dupla de palavras que se interligam, como "garfo e faca", "menino e menina", "pais e filhos" é como se existisse uma ordem natural das palavras de forma que você não fala normalmente "faca e garfo", "menina e menino" e "filhos e pais". Assim como você não costuma dizer "não e sim". O normal é dizer "sim e não", lógico. Pois bem, no referendo você terá de decidir entre "não e sim". Para "Não" tecle 1. Para "Sim" tecle 2. Para ajudar mais ainda, a Veja, em uma matéria de capa tendenciosa, recheada de argumentos panfletários a favor da comercialização de armas de fogo, divulgou uma foto (acima) que inverte os números, colocando 1 para "Sim" e 2 para "Não". Outra confusão para a cabeça do eleitor é o título que a mídia atribuiu ao referendo de "plebiscito do desarmamento". Este título está errado duas vezes. Uma porque referendo não é a mesma coisa que plebiscito (plebiscito também é uma consulta direta ao cidadão, em que ele se manifesta sobre um assunto de extrema importância, porém, antes que uma lei sobre o tema seja estabelecida). Outra porque o referendo não é uma consulta sobre o desarmamento, mas sobre a proibição do comércio de armas e munições.

Você já sabe quanto será gasto para a realização deste referendo?
Segundo o site do Estadão, deverão ser gastos R$ 270 milhões para a realização do referendo. Porém no jornal O Globo de 27/2/05, pág. 16, lê-se: "O governo reservou R$ 200 milhões para a consulta popular (referendo). Mas, com base em eleições anteriores, o TSE calcula que a disputa não custará menos de R$ 500 milhões." Toda esta monta de dinheiro poderia estar sendo investido em Segurança Pública. Por que que o referendo não é feito junto com as eleições de 2006, para presidente e governador, já que esta medida economizaria esforços e recursos financeiros?

Você já parou para pensar se existe uma real necessidade desse referendo?
O Brasil já tem uma lei, a Lei Nº 10.826, de 22/12/2003, também conhecida como Estatuto do Desarmamento, que tornou a aquisição e o porte de arma bem mais restritivos. Aliás, é nela, no art. 35, que está prevista a consulta popular. Segundo essa Lei, foi estabelecido um prazo para o registro das armas que estivessem irregulares. Foram tornadas, também, mais rigorosas as exigências para a aquisição - tais como comprovação de capacidade técnica e aptidão psicológica - e, também, para a obtenção do porte. O valor da licença para portar foi aumentado para R$1.000,00 e seu prazo de validade foi reduzido para três anos. Não pense que é fácil ter uma arma legalmente no Brasil. É uma imensa burocracia, são várias exigências, além do que é muito caro. Fora que o cidadão deve renovar o registro da arma de três em três anos. Já está tudo lá, regularizado. Será que são essas armas as que produzem a violência e aparecem nas estatísticas? Uma coisa é controlar a expedição de habilitação de condutores de veículos, outra coisa é proibir o comércio de carros. Nós já temos uma lei extremamente rigorosa de armas no país e não houve tempo para que ela vigorasse tempo suficiente para colhermos resultados positivos ou negativos.

Seremos obrigados a votar "sim" ou "não" no dia 26 de outubro. Não deixe que essa decisão maniqueísta ofusque outras questões igualmente importantes: você viu como é confusa a votação? Você percebeu quanto será gasto para isso? Será que é realmente necessário este referendo?

Por Alexandre de Sousa

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Definições iniciais
O “proibidão” é uma vertente do funk surgido durante a década de 90 nas favelas do Rio de Janeiro. Comercializado, divulgado e distribuído de forma clandestina, os funks proibidões exaltam traficantes, o consumo de drogas, facções ou atos criminosos.

O "marketing de guerrilha" é uma vertente do marketing que se caracteriza por estratégias não convencionais de marketing, em geral posta em prática por empresas menores com o objetivo de combater grandes concorrentes ou simplesmente sobreviverem.

Funk + Tráfico de Drogas = Proibidão
A polícia indiciou 13 funkeiros, entre eles a MC Sabrina, por apologia ao tráfico de drogas, veja na Folha Online. Os proibidões existem desde a década de 90, sendo que, nessa época, eram mais restritos às comunidades tomadas pelo tráfico de drogas. Porém a partir de 1999, com o Rap do Comando Vermelho, o proibidão desceu do morro para as manchetes dos jornais. O Rap era uma paródia do carro Velho, da cantora Ivete Sangalo: “Cheiro de pneu queimado/ carburador furado/ e o X-9 foi torrado/ quero contenção do lado/ tem tira no miolo/ e o meu fuzil está destravado”. Dali pra cá os Raps proibidos foram descendo cada vez mais às favelas e ganhando o asfalto da classe média. Hoje eles estão disponíveis na internet, nos camelôs e nos carros da garotada. Até mesmo policiais gostam de ouvir funk proibido. A cultura marginal virou parâmetro e serviu de inspiração para que surgissem os Funks Proibidos da Polícia Militar.

De lá para cá o proibidão ganhou espaço de tal forma que agora sua temática não se limita a mostrar o poderio das facções, ou contar as histórias em que os traficantes combateram com a polícia, ou ameaçar de morte os delatores ("x-9"). O tráfico de drogas tem o proibidão como importante aliado para fazer "marketing de guerrilha" de seus produtos.

Funk + Tráfico de Drogas = Proibidão + MC Sabrina = Marketing de Guerrilha
O maior exemplo do marketing de guerrilha do tráfico de drogas é o da MC Sabrina promovendo o "Boldin" (apelido da maconha vendida no morro da Providência). Veja a letra do funk "Lula Liberô", da MC Sabrina.

Lula Liberô
Mc Sabrina

Atenção para esse comunicado importante, com a palavra nosso querido Presidente Luis Inacio Lula da Silva:
Meus caros, queridos, colegas e companheiros do Brasil, vim aki pra dizer nesse exato momento que o proibidão esta liberado pra cantar, principalmente também você que gosta de uma boa erva, esta liberada a erva, principalmente a de qualidade boldin, aquela que deixa muito pancadão, aquela é boa, gosto muito também...Então pro Funkeiro esta liberado, o funk proibidão pra cantar e todo tipo de erva, pra você q naum gosta de erva pode dar uma pancadinha no pó de 5, 3, 10 e de 1 também viu, é uma coisa muito boa e eu assino embaixo...
Esperai que o Bera-mar tah me passando um Rádio...
Puxa, prende e passa fica igual um Japonesin, se quiser ficar chapado é só fumar um boldin, essa eh da boa e eu tenho preferencia, se quiser fuma boldin é só vim na Providência 2x
Ve, ve, ve, venenosa êêêêê, erva venenosa êêêê, venenosa êêêêê, erva venenosa êêêê;
Tá liberado fumar, boldin, boldin, Tá liberado fumar, boldin, boldin, Tá liberado, Tá liberado, Tá liberado fumar...
Mas você vai ficar igual um japonesinho, você vai ficar igual um japonesin, porque é do boldo é do boldin, é do boldo é do boldin, só boldin, só boldin...
Puxa, prende e passa fica igual um Japonesin, se quiser ficar chapado é só fumar um boldin, essa eh da boa e eu tenho preferencia, se quiser fuma boldin é só vim na Providência 2x
Ve, ve, ve, venenosa êêêêê, erva venenosa êêêê, venenosa êêêêê, erva venenosa êêêê;
Tá liberado fumar, boldin, boldin, Tá liberado fumar, boldin, boldin, Tá liberado, Tá liberado, Tá liberado fumar...
Mas você vai ficar igual um japonesinho, você vai ficar igual um japonesin, porque é do boldo é do boldin, é do boldo é do boldin, só boldin, só boldin...

Veja outras letras de proibidões da MC Sabrina.

Numa grande jogada, a MC Sabrina contou com a voz apoio do "nosso querido Presidente Luis Inacio Lula da Silva" liberando o proibidão, liberando a erva, e liberando o pó. Depois ela vêm fazendo apologia ao uso do boldin e ainda conta com um outros dois reforços de peso: o refrão "erva venenosa" da cantora Rita Lee e o "tá liberado fumar", do Rei Roberto Carlos.
 
Essa música não está disponível em discos oficiais. Ela circula em CDs piratas (graças ao progressivo barateamento dos gravadores de CD e das mídias virgens) que são vendidos em camêlos e proliferam na Internet. A produção musical dos proibidões é precária, não conta com grandes orçamentos. Quando não são gravados ao vivo, nos bailes, eles têm alguns requintes de estúdio como a inclusão do som de rajadas de tiros (reais ou não). De forma inusitada, clandestina, barata e simples a propaganda do boldin alcança o público de forma que o marketing convencional não acançaria com a mesma eficiência.

É o mercado das drogas na era do marketing de guerrilha!

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Blog EntrySep 26, '05 8:46 PM
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A viatura blindada do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) que é usada em operações policiais nos locais onde há maiores dificuldades da polícia agir, o "Caveirão", está badaladíssimo. Hoje as Polícias Civil e Militar já contam com oito viaturas desse tipo, sendo uma da Polícia Civil e as demais da Polícia Militar. Foram batizados de "Pacificadores", apesar de todos eles atenderem por "Caveirões", o apelido do primeiro blindado adquirido pela PM.

No desfile cívico-militar de 7 de setembro uma alegoria do Caveirão foi o abre-alas da passeata "O Grito dos Excluídos" e o primeiro símbolo a ser incendiado pelos manifestantes, para deleite da mídia, que divulgou amplamente a manifestação. Aliás, o Caveirão está com tudo na mídia. Desde o dia 14 de setembro o Caveirão aparece no horário nobre da Rede Globo, no programa dominical Fantástico. No quadro "Crianças" Regina Casé mostra, numa matéria de grande repercussão, como os tempos mudaram: se ontem as crianças tinham medo do bicho-papão, hoje elas têm medo do caveirão. Ainda em setembro, no dia 18, começou a série "Diário de Uma Guerra Suja" no Fantástico, que começa justamente mostrando policiais civis dentro de um blindado, patrulhando no Complexo do Alemão. E a matéria continuou no domingo dia 24, começando novamente com imagens do blindado, dessa vez mostrando o desembarque dos policiais. Como que numa resposta, no programa Cidade Alerta, da Rede Record, o apresentador Wagner Montes fez uma chamada hoje (26 de setembro) para uma matéria especial sobre o "verdadeiro Caveirão", o Caveirão do BOPE, que será exibida amanhã, terça-feira.

Este veículo, que é um carro de transporte de valores, um "carro-forte" adaptado para uso policial, consegue ser odiado e admirado ao mesmo tempo. Existem comunidades no Orkut dedicadas ao famigerado carro de combate, como "Quero andar no caveirão" e " Eu amo o Caveirão pq ele...", só a primeira com mais de duzentos membros. O Caveirão chega a ser ovacionado em alguns lugares que passa, no asfalto, quando sua voz metálica anuncia sua presença: "É o caveirão, é o caveirão!". Mas essa é uma reação totalmente oposta à das comunidades carentes relatado pelo site Viva Favela. Segundo o site, no Complexo do Alemão (Zona Norte do Rio) já passam de 500 assinaturas um abaixo-assinado que acusa o blindado de “várias ações” que “aterrorizaram os moradores” na madrugada da segunda, 12 de setembro.

Uma das constatações tidas como mais chocantes e recorrentes a respeito do Caveirão é que ele fala atrocidades como “Senhores moradores, estamos aqui para defender a comunidade. Por favor, não saiam. É perigoso”; “Crianças, saiam da rua, vai haver tiroteio”, “Se você deve, eu vou pegar a sua alma”. Segundo um oficial do BOPE que frequentemente comanda operações com o Caveirão, ele mesmo é o autor da voz que sai do sistema de auto-falante e que os os avisos visam alertar a população de bem para o perigo que correm se continuarem desabrigadas do lado de fora de suas casas. Pois os traficantes atiram a esmo, não se preocupando com quem está na frente, seja policial ou morador da comunidade. Então só deve temer aquele que está devendo.

Como toda celebridade, o Caveirão está sujeito a críticas: alguns especialistas da área de segurança acham que os atuais blindados "carro-forte" não são apropriados para a função a que se destinam e que deveriam ser substituídos por carros de combate adaptados para uso policial. Seguindo esta linha, Vinicius Domingues Cavalcante publicou um artigo intitulado  "Viaturas Blindadas Para Uso Policial" em que considera "a impropriedade dos veículos blindados que se vem adquirindo para a Polícia carioca", e faz críticas aos atuais blindados que o Estado vêm adquirindo. O autor enumera várias modificações que poderiam ser feitas nos atuais blindados ou possíveis aquisições que poderiam ser feitas de blindados melhores que os atuais.

O mês de setembro foi o mês do Caveirão. Pelo menos não lembro dele ter sido antes tão badalado pela mídia. Dividindo opiniões, sendo admirado e odiado ao mesmo tempo, têm possibilitado que forças policiais possam patrulhar com maior segurança, indo até o "olho do furacão". Tem o poder de ultrapassar barreiras colocadas pelo tráfico no acesso às favelas - como ‘quebra-molas’ e barricadas -, e é imune a granadas e disparos com alto poder de fogo. Não podemos imaginar atualmente as operações policiais nas favelas cariocas sem os nossos veículos blindados.

Infelizmente, as condições adversas do combate ao tráfico de drogas tendem a crescer. Num futuro próximo talvez os Caveirões sejam tão comuns quanto os atuais "Gol Bolinha" usadas no patrulhamento ostensivo normal da PM. O bicho-papão das crianças seria algo muito mais aterrorizador que o atual, mais até que o "monstro do armário", ou o "homem do saco". Porém, enquanto os novos pesadelos infantis não chegam, o Caveirão ocupa lugar de destaque sob a luz, os flashs e o assédio a que toda celebridade têm direito. Alguém quer um autógrafo do Caveirão?

Por Alexandre de Sousa

 
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Blog EntryJun 3, '05 8:32 PM
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Tem dias que a gente acorda com aquela inspiração toda especial de fazer uma arrumação que adiava a tempos. Tipo aquela arrumação no quarto, no armário, no baú... e em algumas dessas arrumações encontramos alguma coisa que já era para ter sido jogada fora, mas que, por não ter sido, se tornou uma bela lembrança do passado.

Numa dessas arrumações na minha estante de livros, onde se juntam desde provas de colégio antigas (tenho pena de jogar fora) à medalhas do tempo que eu era um exímio atleta, encontrei uma rara manifestação poética da minha parte. É uma poesia que fiz após minha última desilusão amorosa.

História das vezes que eu tive tudo

Não precisava de mais nada
Mesmo assim deixei tudo que eu tinha
E você era tudo para mim.

Eu tinha tudo e não sabia
Não sabia o valor do que eu tinha
E quis ter tudo de novo
Pois para mim o nada não existia

Me diverti com as pessoas erradas enquanto a certa não voltava,
E nos encontramos de novo, tudo outra vez
Mas não coube tudo em minhas mãos
Você foi embora, escorrendo entre os meus dedos.

Voltei a me divertir com as pessoas erradas enquanto não volta tudo outra vez.

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Blog EntryMay 22, '05 5:16 PM
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Eu teria me sentido ofendido se, tempos atrás, alguém se referisse a mim como "menor infrator". Teria soado como pivete, ou trombadinha, ou bandido mesmo. Mas hoje, após algumas lições básicas de direito, confesso que meu passado me condena. Eu já fui um menor infrator. Eu diria até que já fui um criminoso. Ou melhor, diria que todos nós fomos, somos ou seremos criminosos um dia! Mas isso é assunto para um outro artigo.

Até meus 21 anos eu cometi ou cometia com frequência pelo menos 6 infrações penais. A Lei das Contravenções Penais é pequena (tem apenas 72 artigos), e trata dos delitos de menor potencial lesivo, ou seja, aqueles mais leves. Posso enumerá-los aqui tranquilamente, pois constitucionalmente essa lei é inimputável aos menores de 18 anos e qualquer pena que eu viesse a sofrer teria acabado quando eu completei 21 anos. Estes são os artigos que me tornam um contraventor da lei:

Vias de fato
Art. 21 - Praticar vias de fato contra alguém.

"Praticar vias de fato" é um eufemismo para "cair na porrada", no entanto sem causar sequela fisica, tipo sangramento, cortes, hematomas, etc. Exemplos de vias de fato: empurrões numa discussão, arrancamento ou rasgamento de roupa, gravatas, puxões de cabelo, socos, pontapés, golpes de luta, arremessamento de objetos, de corpos sólidos ou líquidos e mesmo o assoprar afrontoso de fumaça na face de alguém.

Brigar nunca fez parte da minha rotina, mas qual adolescente que nunca trocou empurrões, socos, tapas e chutes com alguém? Praticava vias de fato até com meu próprio irmão! Coitado, ele é mais novo e sempre apanhava. Mas também apanhei muito, principalmente no colégio. "Te pego na saída" era o convite não só para o oponente, mas para todos os outros garotos verem aquele espetáculo selvagem de afirmação da masculinidade. Ao som de "chuta ele", " agora pega na gravata", e muitos risos, me via agredindo e sendo agredido, para minutos depois sair dali como herói ou como o fracote da turma.

Disparo de arma de fogo
Art. 28 - Disparar arma de fogo em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela:
[...]Parágrafo único - Incorre na pena [...] quem, em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, sem licença da autoridade, causa deflagração perigosa, queima fogo de artifício ou solta balão aceso.

Sempre escondido do meu pai, na casa da minha avó materna, eu soltava aqueles balões tipo "japonês" que meus tios traziam pra "garotada soltar". E quem é que pede autorização para soltar fogos de artifício? Imagine quantos contraventores penais são produzidos todos os anos, a cada festa de ano novo, a cada final de campeonato de futebol, a cada dia de São João, a cada dia das mães, a cada aniversário, todos os dias!

Arremesso ou colocação perigosa
Art. 37 - Arremessar ou derramar em via pública, ou em lugar de uso comum, ou de uso alheio, coisa que possa ofender, sujar ou molestar alguém.

Lembro-me do meu ensino médio no Colégio São Gonçalo. Todos os dias, durante o intervalo, os alunos protagonizavam uma batalha campal para serem atendidos na cantina do colégio. Espremiam-se, se debruçavam sobre o balcão, gritavam " tia, tia, aqui tia!" e batiam moedas afim de serem atendidos. Graças a uma mente imatura e fértil às obras idiotas, espalhei generosas quantidades de "catchup" na bordas do balcão da cantina, pouco antes do intervalo. E dali a minutos me divertia muito, vendo todas aquelas pessoas com um lanche na mão e um risco vermelho que ia de um lado ao outro da barriga, esbravejando e falando horrores destinados ao autor daquela idiotice - eu.

Antes desse episódio tiveram outros, junto com uns amigos também desmiolados e o Joe, um bonecão de pano que a gente fez para se divertir às custas dos outros. Primeiro, apenas o colocávamos sentado, cabisbaixo, como um mendigo, a espera de um olhar curioso. Quando um curioso passava mais perto a gente puxava uma linha amarrada na mão do Joe e ele acenava. A vítima tomava um susto inicial, mas logo depois sorria com a pegadinha. O problema foi quando a brincadeira deixou de ser inocente e evoluiu para o Joe jogado no meio da rua pouco movimentada da Vila da Aeronáutica, onde a gente morava, fazendo os carros desviarem assustados. Isso quando dava tempo, pois muitos freiavam já em cima do Joe e xingavam muito. Numa dessas a gente perdeu o Joe pra sempre: o motorista, com cara de poucos amigos, colocou o boneco no porta-mala e arrancou com o carro. Que saudade do Joe!

Perturbação do trabalho ou do sossego alheios
Art. 42 - Perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios:
    [...]
    III - abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;
    [...]
    
Em meados de 2003 quebrei meu porquinho onde acumulava dinheiro por uns 4 anos. Mesada da vovó, economia do lanche no colégio (passar fome), andar a pé em vez de pegar ônibus, foram as táticas que utilizei. Com muito custo comprei minha bateria Michael zerinha, completa, com pratos e tudo. Dali em diante ela fora o inferno dos vizinhos, dentre eles meus avós, que aguentavam pelo menos semanalmente aquela barulhada sem tamanho. Mas não é preciso sair de casa para encontrar vítimas: até meus pais eram obrigados a ouvir minha tentativa de extrair música com baquetadas, ninguém podia ver televisão ou escutar rádio durante os ensaios com meu mano (Rafael, que toca guitarra). Não considero perturbação do sossego alheio nesse caso, pois meus pais consentiam aquela sessão de poluição sonora. Com exceção daquela vez que, ao voltar do funeral do meu falecido avô Elesbão (pai da minha mãe), me pûs a tocar impiedosamente a minha bateria, para espantar a tristeza. Essa inconsciente falta de respeito me custou a raiva da minha mãe e a desaprovação dos vizinhos, de uma vez só.

Art. 63 - Servir bebidas alcoólicas:
    [...]
    II - a quem se acha em estado de embriaguez;
    [...]
   
Meus avós paternos têm, no mesmo terrenos da casa deles, um comércio que carinhosamente chamamos de "tendinha". Eles trabalham na tendinha religiosamente de segunda à segunda, de 6 da manhã às 8 da noite, ininterruptamente, revezando-se entre si e sem deixar de lado as outras coisas que têm que fazer. A tendinha é a vida deles. Pra se ter uma idéia, há uma cozinha anexada ao espaço da tendinha, um banheiro e uma máquina de costura, a outra ocupação da minha vó, de modo que quase não precisam sair de lá. Sempre que eu ia visitá-los, se quizesse ficar junto deles, deveria estar na tendinha, e atendendo aos frequeses. E fazia questão de ficar lá enquanto os dois descansavam. Durante minha infância e boa parte da minha adolescência meu avô vendia bebidas alcoólicas, e isso era grande parte da renda que ganhava diariamente. E eu ficava muito orgulhoso, com minha inconsciente visão de capitalismo selvagem, de aumentar consideravelmente essa renda nas vezes que assumia a tendinha. Com muita conversa jogada fora, eu ia embebedando os cachaceiros (lá não vendia cerveja, só cachaça) e ia tirando dinheiro dos pobres coitados. Não queria saber se eles estavam bêbados ou não, o importante era tirar o máximo de dinheiro que o álcool poderia proporcionar, de modo que eu só parava de oferecer bebida se o dinheiro acabasse.

Crueldade contra animais
Art. 64 - Tratar animal com crueldade ou submetê-lo a trabalho excessivo.

Eu adoro animais, aliás sou um defensor deles, não suporto crueldade com eles. Mas confesso, nem sempre foi assim. Judiei um pouco deles, acho que mais por curiosidade que por crueldade, coisa de criança mesmo.

Onde eu morava, Sulacap, apareciam muitas ninhadas de gatinhos. Eu achava que eram ideais para eu testar o senso de equilíbrio dos gatos. Queria saber se sempre caíam em pé, mesmo jogando-os várias vezes pro alto. Na maioria das vezes caíam em pé e não se machucavam, mas tinham vezes que caíam de costas, de cabeça... quando um gatinho desses entrava no quintal da casa da minha vó, a primeira providência era soltar o cachorro e esperar uma luta sanguinária, que nunca acontecia, porque o Rex tinha medo de gato. A segunda era levá-lo para o valão lá perto e largá-lo na água. Depois, fui sofisticando o afogamento com requintes de crueldade. Numa das vezes amarrei o gatinho com uma linha e ia, de acordo com minha vontade, imergindo-o no valão. Numa outra vez, fiz um barquinho pra ele: coloquei-o dentro de um pote de plástico e botei para boiar, a correnteza o levou miando desesperadamente.

Fazia batalhas de formigas, para ver quem ganhava. Pegava uma espécie de formiga grande e jogava dentro de um formigueiro com formigas menores, que sempre ganhavam. Também gostava de jogar aranha, lagarta, gafanhoto... todos eles perdiam para a união das formigas, que atacavam por todos os lados. Quando eu ia para pracinha, carregava comigo um saleiro e enchia de formigas saúvas para fazer um "viveiro". Ao contrário do que o nome possa sugerir, no meu viveiro todas as formigas morriam.

Já tive uma libélula de estimação, mesmo que só por algumas horas. Eu a tinha presa com uma linha amarrada no rabo. O cômico é que eu a carregava voando pela "coleira". Com o mesmo método tive alguns lagartos de estimação, esses comuns de muro, que durou dias. Levava-os para o colégio, soltava-os na sala de aula e no pátio, fizeram muito sucesso no ambiente escolar. Depois, enjoado deles acendi uma vela e tentei "empalhá-los" com a cera quente da vela. Como essa idéia além de ridícula era impossível, tive de queimá-los com a chama da vela.

Mas nada se compara em crueldade ao que eu e uns amigos fizemos por duas vezes: apedrejar um gambá só pelo fato de ele estar passando, assim, sem mais nem menos, dando o mesmo tratamento a um gambá que geralmente se dá aos ratos. Por falar em rato, essa eu não fiz, mas presenciei: uns amigos encontraram um rato num buraco  raso e largo no chão, não o deixaram subir, tacaram álcool e fogo e logo uma bola de fogo começou a correr deseperadamente pra lá e pra cá dentro do buraco.

Vamos, admita, o seu passado também te condena!

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Blog EntryApr 14, '05 4:20 PM
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Você já tem idéia de como será seu enterro? Para quem você vai deixar aquele anel de ouro, a sua escrivaninha ou o seu jeans preferido? Tudo bem, a maioria das pessoas evita pensar nisso. Mas eu não. É muito interessante saber que ainda temos algum poder depois de mortos; podemos até impor aos vivos nossa últimas vontades pós-morte. Isso se faz através de um codicilo (já já explico o que é isso).

Segundo o site Rockwave, Bono Vox do U2 já sabe como será o seu funeral: com Bob Dylan e Luciano Pavarotti cantando. Palavras do próprio Bono: "Eu gostaria que houvesse muita lamentação e muito choro. A música teria que ser boa. Bob Dylan cantando 'Death Is Not The End' (em português: a morte não é o fim) e Pavarotti cantando 'La Traviata'". Na semana passada, a Folha Online noticiou que o Papa João Paulo II deixou um documento de 15 páginas que está sendo chamado de "testamento espiritual", que pode conter suas decisões referentes ao enterro ou à indicação de um cardeal para participar do conclave (reunião de cardeais que escolherão o próximo Papa).

Desde criança tenho especial interesse por rituais fúnebres. Cheguei a imaginar sobre como seria meu próprio enterro, para quem eu deixaria meu dinheiro na poupança, meus soldadinhos de plástico e se eu colocaria a bandeira do Flamengo em cima do caixão. Mas também achava que não adiantava nada ter qualquer vontade a esse respeito, já que eu estaria morto. Só me restaria puxar o pé dos que não respeitaram minha vontade... mas aí o funeral já teria terminado.
 
No ano passado, folheando o Novo Código Civil, me deparei com o Art. 1.651. Esse artigo diz que "toda pessoa capaz de testar poderá, mediante escrito particular seu, datado e assinado, fazer disposições especiais sobre o seu enterro, sobre esmolas de pouca monta a certas e determinadas pessoas, ou, indeterminadamente, aos pobres de certo lugar, assim como legar móveis, roupas ou jóias, não mui valiosas, de seu uso pessoal". Este escrito particular datado e assinado de que trata o artigo é o tal do codicilo.
 
Meu desejo ignorante das leis se materializava agora. É lei, eu posso planejar meu enterro, decidir com que vai ficar meu tênis all star azul e doar meu dinheiro a alguma instituição, e os vivos terão de fazer acontecer! As pessoas geralmente não gostam nem de falar sobre isso, pois "traz mal agouro!". Mas se o Bono Vox e o Papa fizeram eu também vou fazer! Em breve divulgarei meu codicilo aqui, em primeira mão. E já posso adiantar que no meu enterro serão servidas balas de tamarindo.

Obs.: Se o Bono Vox ou o próximo Papa se jogarem na linha do trem eu não farei o mesmo.

Por Alexandre de Sousa


Blog EntryApr 9, '05 9:01 PM
for everyone

Me sento em frente ao computador, me ajeito sobre a cadeira... pigarreio, tamborilo os dedos no ar como se fosse fazer um passe de mágica... estou ali olhando uma tela branca e as vezes fechando os olhos com força, como se estivesse fazendo um esforço sobrenatural. Droga! Sobre o que vou escrever?

Logo na estréia do meu próprio "espaço de terra" virtual, eu não tinha nem idéia do que escrever, e, por mais que eu espremesse meu cérebro, não saía nada. Fugindo do problema em vez de enfrentá-lo, decidi que faria primeiro a aparência e depois me dedicaria ao conteúdo.

Personalizar a aparência do Multiply me tomou bastante tempo, e, só 4 horas depois (ao meio dia), a aparência ficara praticamente pronta (obrigado Diego Nunes!). Almoçar foi uma bela justificativa para sair daquela situação humilhante diante do computador. Estava descobrindo que não sou tão criativo quanto pensava.

Eu tinha que descansar após o almoço (também era uma ótima justificativa para não voltar ao computador) afinal, eu ainda tinha a tarde toda pela frente. "A Matemática Aplicada à Vida Papal"? Não, eu não posso escrever sobre um assunto que não sei. "Como Foi Meu Dia Ontem"? Isso seria como ter um diário virtual e eu gostaria que meu blog passasse longe disso... que tal "A Conspiração Alienígena em Planetas Extra-terrenos"? E cada vez mais eu me superava assustadoramente... a resposta do meu cérebro àquela farândula mental foi um sono profundo que perdurou até às 18 h.

Todo o meu dia estava se resumindo a um simples post na internet; perder o que restava dele seria assinar uma auto confissão de nerd. 2/3 do dia foram de total sedentarismo. Sem programa nenhum para sábado a noite, usei o que restava dele para nadar.

No final do dia, esgostado mentalmente, com o corpo cansado e com sono, não tive outra alternativa a não ser compactuar com o estilo "Diário Virtual" e contar como fora meu tão "produtivo" dia. Desliguei o computador pensando que isso não poderia acontecer de novo. Prometo que  já estou trabalhando nisso. Prometo!

Por Alexandre de Sousa